sábado, 29 de junho de 2019

Recordar é Viver: "Arigatô, sr. Nelson Ichisato, o `Pai das Cerejeiras´"











Por Wanderley `Tico´ Cassolla


A Festa das Cerejeiras (ou Cerejeiras Festival) que acontece em nossa cidade, está desfalcada de seu melhor jogador, o jaqueta 10, Nelson Kosche Ichisato, que infelizmente faleceu no último dia 07 deste mês.  Por incrível que pareça nesta 33ª edição, a florada das cerejeiras está com um brilho todo especial, como que em agradecimento ao seu criador. 

                    

Diz um velho e conhecido provérbio: “Toda pessoa para ser eternizada, tem que escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore”. O que falar, então, do “seo” Nelson que plantou um bosque de cerejeiras? Deixou um legado que a cidade de Garça jamais poderá esquecer.


Tudo começou no ano de 1.979, quando o “seo” Nelson, um tanto quanto saudosista de sua origem e também para matar saudades da terra natal, resolveu plantar 110 mudas ao redor do lago “J.K. Williams”, adquiridas na cidade de Campos de Jordão. Naquela época ele foi questionado, muitos duvidaram da plantação, uma vez que o clima garcense não seria propício. Porém, com muita fé e toda paciência oriental, todas as manhãs o “seo” Nelson estava lá, acreditando numa florada. Com aquela garra e persistência de seu time do coração, o Corinthians, utilizava de um balde para pegar água no lago, ia regando planta por planta. No time de futebol ele foi um “curinga”: jogou em todas as posições, batia escanteio, corria na área para cabecear e marcar gol. Aos poucos as árvores foram crescendo e o bosque aumentando, cada vez mais bonito.

Susto: numa ocasião, uma forte chuva quase pois tudo a perder. Destruiu a maioria das árvores. Como o terreno onde foram plantadas é num declive, elas foram arrancadas e lançadas próximas do lago. 
Mas ele não desanimou. Adquiriu mais plantas, até mesmo com recursos próprios. E não cansava de afirmar: “logo virá uma florada, pode acreditar”. Não será preciso ir no Japão para ver a flor da cerejeira. Aqui em Garça, logo teremos e numa coloração toda especial. O principal adubo, segundo “seo” Nelson: o amor pelas cerejeiras (sakura). Bem o resto não precisamos falar mais nada. Hoje são centenas de árvores da espécie `Serrula Tamque´, que encantam a todos, principalmente a colônia japonesa (veja nos flagrantes).

Segundo o nosso amigo corintiano, Enéas Filho, o mais novo cidadão garcense “é a maior festa da cerejeira do mundo, fora do Japão". Até domingo, milhares de pessoas deverão comparecer na festa para apreciar muito da tradicional e peculiar cultura japonesa. A festa conseguiu enorme projeção a ponto de ser considerado o maior evento paulista voltado par a cultura oriental, além de fazer parte do calendário estadual de eventos desde o ano de 1.992. Em 2.018 entrou oficialmente para o calendário turístico estadual, e posteriormente para o calendário turístico do país. Ao “seo” Nelson nossa eterna gratidão. Ao mesmo tempo que rendemos nossas eternas homenagens, recordando a celebre frase do Fiori Giglioti, locutor esportivo da Rádio Bandeirantes: “o Sr. Nelson “subiu” e foi cuidar das cerejeiras lá no céu. Mas ficará por todo o sempre incrustado no carinho, no coração, na ternura e na sinceridade do nosso cantinho da saudade”.  Sayonará!!!