Por Wanderley `Tico´ Cassolla
Dos anos 70 para cá,
dois times garcenses fizeram bonito no Campeonato Regional que era promovido
pela Liga de Futebol de Marilia: Serenata e SALEC. Era uma competição difícil,
disputadíssima, que reunia as cidades de nossa região, que montavam grandes
esquadrões. Na época era comum as prefeituras ajudarem, até mesmo
financeiramente. Desta forma os jogadores eram “contratados” por toda a região,
alguns vinham até do vizinho Estado do Paraná. A única regra era não estar
atuando mais profissionalmente.
O
Serenata fez história e deixou o nome marcado na competição: bi-campeão nas
temporadas de 1.972 e 1.973. No primeiro ano de forma incontestável, campeão
invicto. O Serenata era presidido pelo esportista Paulo Renato Alves de Souza,
e representava a Fábrica de Óleo de Amendoim e Sabão Serenata.
Nos
anos 80, foi a vez do SALEC - Sanatório André Luiz Esporte Clube -, presidido
pelo também esportista Vitinho Boareto, que resolveu ingressar no difícil
campeonato regional e quase chegou lá. Nas temporadas de 1.982 e 1.983, foi
“bi” vice-campeão. Em 82 perdeu o título para o time mariliense da Unimar. No ano
seguinte caiu diante do ótimo time da Usina Paredão de Oriente.
Recordamos
uma das formações do SALEC, quando da primeira participação. Em pé da esquerda
para direita: Antonio Maceloni (técnico), Ronier, Luizão da Cruz, Tiguinha,
Caio Miranda, Tonho Nêgo e Marcel (massagista): agachados: João Paulo, Gininho,
Tico, Tonho Alves, Cabreirinha e Navarro.
Na
semana passada encontramos o Antonio Carlos da Silva, mais conhecido por
“Navarro” e batemos um papo (foto), lembrando logicamente do Campeonato Regional, que disputamos pelo SALEC. O esquema montado pelo técnico Toninho
Maceloni, era na “antiga” formação 4-4-2, principalmente quando jogávamos fora.
O
time ficava fechado atrás e na frente, o Navarro na ponta direita e eu de
centroavante. Era ficar com a posse de bola e lançar o Navarro, que tinha uma
velocidade incrível. Rápido, chegava na linha de fundo, eu ficava ali nas
proximidades da marca do pênalti, esperando o cruzamento e finalizar para as
redes. Na maioria das vezes, o lance ficava mais fácil, pelo fato do Navarro,
antes de cruzar, rapidamente erguia a cabeça e já sabia onde eu estava. Tanto é
verdade que nos dois anos, terminei como principal artilheiro do Regional.
O
Navarro não era de marcar gols. Mas uma ocasião quando o SALEC jogou em
Oriente, fez um golaço, bem parecido com o gol do meia sul-coreano Son
Heung-Mim, do Tottenham da Inglaterra, que venceu o Prêmio Puskas da FIFA, no
ano passado. Lembro que o Navarro recebeu o passe do Osmar Tanajura quase na
nossa defesa, e numa velocidade incrível, saiu driblando quase que todo o time
adversário. Fintou até o goleiro e não entrou com bola e tudo porque não quis. O
árbitro era o Negadinha, da Liga
Regional, que após ter validado o gol, fez questão de cumprimentar o jaqueta 7
do Salec. Antes de dar inicio ao jogo, o
famoso e respeitado árbitro Negadinha falou: “Meu garoto, foi o gol mais bonito
que vi até hoje, desde que apito no regional. Parabéns”.
No
futebol citadino, o Navarro jogou no Flamengo, de vila Rebelo, quando o
time começou a disputar o Campeonato Amador. Foi um dos
trunfos do técnico Betão Aguiar para o Flamengo se consolidar na nova
divisão. O técnico Betão nos revelou uma
curiosidade e talvez a origem do apelido: “Era comum o Antonio Carlos comparecer
nos jogos levando uma sacola com
laranjas para chupar nos vestiários. Falava que era para não ficar cansado, e
ajudava a correr ainda mais. E não gostava de dividir não, até “chiava” quando
os demais jogadores escondiam alguma fruta. Numa destas ocasiões, a sacola
estava furada e vazou laranja por todo o vestiário. Na hora o o zagueirão
Goiano, o apelidou de “Navarro Laranja”.
Recentemente o Navarro enfrentou problemas de saúde, típico da idade. Passou por procedimentos cirúrgicos, estando em franca recuperação. Bem alegre já me garantiu, que após a pandemia, está pensando em retornar aos gramados no futebol máster. Os zagueiros adversários que se cuidem.