Por Wanderley `Tico´ Cassolla
A
década de 60 foi marcada pela existência de grandes times que participaram
ativamente dos campeonatos varzeanos da cidade. Dentre os principais, destacamos
o Bangu, Real, Botafogo, Ferroviária, Esportiva Jafense, Flamengão,
Bandeirantes, Bar Antártica, Ipiranga, Supergás e tantos outros. Dentre esta
elite, não podemos esquecer do glorioso Mercado, grande campeão da temporada de
1.966. O time era presidido pelo esportista Armando Rabah, armou um grande
elenco e fez história naquele ano.
De
quebra ainda ganhou a primeira Copa Lions (Taça Cidade de Garça), vencendo na
final a Ferroviária, por 1 a 0, gol do meia direita Luiz Paulo. Este jogo fez
parte das solenidades de inauguração do Estádio Municipal “Frederico Platzeck”.
Recordamos
o Mercado, campeão amador de 1.966. Em pé da esquerda para direita: Rachid, Zé
Bituca, Luiz Paulo, Zé Carlos, Nena e Dorival Delicato. Agachados: Quarentinha,
Carlinhos Correis, Nenê Ferrari, Jair Montemor e Adauto Coletes. Técnico:
Mamede. No ano de 1.969, o “Mercadão”, como ficou conhecido, repetiria a dose e
conquistaria novamente a Copa Lions.
A
coluna recorda alguns jogadores daquela memorável campanha. Luiz Paulo, já
falecido, posando ao lado do presidente Armando Rabah. No outro flagrante, o
lateral direito Rachid (esq) com o goleiro Zé Carlos.
Esta
semana mantivemos contatos com o Zé Carlos, na cidade de São Paulo, que nos
enviou a foto inédita do time do Mercado, posando com a faixa de campeão. Segundo nos revelou, ganhar o campeonato já
era gratificante, receber a faixa de campeão, num jogo festivo era a
consagração, uma emoção sem fim. Hoje em dia, dificilmente vemos partidas para a entrega das “faixas”, em se falando de futebol amador.
Os tempos mudaram mesmo.
Mas colocar a faixa de campeão no peito tinha um sabor todo especial. Com
relação a sua carreira não foi longa em Garça. Até porque ainda jovem se mudou
para São Paulo, em busca de um bom emprego, uma prática comum na época. Era
prestar o serviço militar, pegar a reservista, e embarcar para São Paulo de
trem da Companhia Paulista ou do Expresso de Prata. Foi o que aconteceu com o
Zé Carlos, no dia 05/05/1.969, disputou o último jogo: a final da Copa Lions e foi campeão jogando
no gol do Ipiranga. No tempo normal Ipiranga x Serenata terminaram empatados.
Na cobrança dos pênaltis, o Rôla Cassola
(Ipiranga) marcou os três. No ultimo do Serenata, defendeu o chute do Edgar do
Café São João. Uma vitória inesquecível. Portanto, ele se despediu de Garça em
alto estilo. À noite “tomou” o ônibus do Expresso de Prata para a “terra da
garoa”, onde mora até hoje.
Em
Garça o Zé Carlos teve uma carreira curta. Entretanto defendeu renomados times
da várzea, dentre os quais, o Ipiranga, Ferroviária, Mercado, Bangu, amador do
Garça e a Esportiva Jafense. Não esquece de duas passagens: jogando pela
Jafense foi campeão do setor 4 do amador do Estado. A decisão foi contra o
Amador do Garça, na cidade de Vera Cruz (campo neutro). A Esportiva Jafense
venceu o forte e favorito amador do Garça pelo placar de 4 a 0, todos os gols
marcados pelo irmão Cláudião, em cima do jovem goleiro Waldir Peres.
A outra,
também aconteceu ano de 1.969, quando recebeu convite para treinar no Garça,
que estava montando a equipe. E disputou a camisa 1, com uma jovem revelação do
Paulistinha: Waldir Peres. Foi uma boa “briga”, e o Waldir acabou ganhando a
posição de titular. Depois virou um ídolo nacional. Mas se fosse o Zé Carlos
não seria nenhuma surpresa.