sábado, 27 de abril de 2019

Recordar é Viver: "Hélio Correa e João Trinca, campeões pelo Tiro de Guerra em 1955"









Por Wanderley `Tico´ Cassolla


Numa das colunas passadas, falamos do falecimento do João Trinca, no final do ano passado, na cidade de São Paulo, ele que foi um dos grandes jogadores de Garça nas décadas de 50 a 70. Não somente no futebol varzeano, como também do futebol de salão (futsal) e também no Garça. Pois bem, a notícia se propagou e chegou na vizinha cidade de Bauru, até o corintiano Hélio Correa Leite, grande amigo de futebol do João Trinca, com que formou uma ótima dupla no time do Tiro de Guerra, campeão varzeano de 1.955. O Hélio lamentou bastante a morte do versátil João Trinca, e nos endereçou uma emocionante carta pelos correios, relatando como foi sua convivência com ele, dentro e fora dos gramados. 
  
“Na minha juventude o João Trinca foi um grande amigo. Corria o ano de 1952 ou 1953, eu com 15 para 16 anos, meu pai me colocou a trabalhar numa farmácia que existia em frente ao cinema antigo de Garça, onde hoje está o prédio da Caixa Econômica Federal. Cuidava da limpeza, varria, lavava vidros, etc. Logo em seguida, a farmácia contratou um moço que veio de Jafa. Adivinha quem era? O João Trinca. Ele tinha prática de farmácia, já manipulava as fórmulas. Naqueles tempos, 80% dos medicamentos eram feitos nas farmácias, e ele começou a me ensinar. Fizemos uma grande amizade. Só que o contato não durou muito tempo, pois arrumei outro emprego, e fui trabalhar na Companhia Aérea Real/ Aerovias. Na época aviões da companhia desciam e desciam no aeroporto municipal, sob muita poeira.

Não passou muito tempo e chegou o Tiro de Guerra, hora de prestar o serviço militar. Reacendemos a amizade, aí a coisa esquentou quando o Sargento Olivério Passos Del Rio montou um time de futebol dos atiradores para disputar o forte campeonato varzeano da cidade. O TG tinha bons jogadores: Roberto Chupim e Elói como goleiros, Malanginho, Antonio Maceloni, Silvio “Goiano” Peres, Dinho Serafim, Armandinho Leal, Aníbal Bonfim, e tantos outros, além do craque e destaque do time, o João Trinca. O TG formou um time imbatível, o Trinca armava as jogadas, e eu, lá na frente “pimba na gorduchinha”, cansei de marcar gols.

O TG, correu por fora, desbancou os tradicionais times da época (Bar Antartica, Flamengo, Operário, Supergaz, etc) e foi campeão. O João Trinca foi eleito o melhor meio campista, e eu ganhei o troféu de artilheiro. Creio que foi a primeira e única vez que o TG foi campeão varzeano. Bons tempos que jamais esquecerei, e que não voltam jamais. Principalmente das tabelinhas com o João Trinca, meu amigo de trabalho e dos campos de futebol”

Para matar a saudade do Hélio Correa Leite, recordamos o memorável time do Tiro de Guerra, legítimo campeão varzeano de 1.955. Em pé da esquerda para direita: Ismail, Silvio "Goiano" Peres, Eloy, Antonio Maceloni, Quito e Dinho Serafim; agachados: Malanginho, Hélio Correa, Aníbal Bonfim, João Trinca e Armandinho Leal. A foto histórica foi no antigo Campo de Vila Williams. Se fosse hoje ficaria bem em frente ao Hospital São Lucas, com arquibancada e vestiários de madeiras. 

Foi neste campo que o Garça Esporte Clube mandou muitos de seus jogos, travou grandes duelos. Também recebeu para jogos amistosos os times principais do Palmeiras, São Paulo, Santos, e outros do interior. Até que foi construído o Estádio Municipal “Frederico Platzeck, inaugurado no dia 04 de outubro de 1.966. Veja nos flagrantes, como está o atacante Hélio Correa, artilheiro garcense no ano de 1.955, e a última foto do Trinca (dir), ao lado do amigo e santista José Carlos “Fanta” de Oliveira, durante visita recente em Garça.