Por Wanderley `Tico Cassolla"No último sábado, fomos
novamente surpreendidos com a notícia do falecimento de um amigo de longa data:
Paulo Roberto Alves Michelan, mais conhecido pelo apelido de “Pilim”. Nascido em
Garça, era uma pessoa benquista em nossa comunidade, pelo jeitão simples,
brincalhão, que agradava a todos.
O Pilim era amigo nosso desde os tempos de juventude. Vivenciamos uma boa fase nos idos dos
anos 70/80, juntamente com uma animada galera. Uma amizade à moda antiga.
Praticamente tudo girava em torno do futebol. Mas dentre nossas diversões,
também tinha o `footing´ em frente ao Cine São Miguel, tomar sucos ou vitaminas
na Quitandinha, do Sr. Nelson Ichisato, “O Pai das Cerejeiras", ir às quermesses do Salão Paroquial (ele era o rei do correio elegante). Opa! E também
nas quermesses promovidas pelo Frei Aurélio Di Falco, lá na Vila Nova (hoje
Araceli), ir ao Circo Robatini e nos parques de diversões (quem não se
lembra do Coney Island Park), que eram armados na cidade.
Tinha também os
bailes do Grêmio Teatral Leopoldo Fróes, onde eu, mais comedido, dificilmente
ia, mas segundo o Mário Soares, o “Pilim fazia a festa, era só alegria do
começo ao fim”. No flagrante, do ano de 1.978, passando o Réveillon. Da
esquerda para direita: Mário Soares, Nao Ichisato, Pilim e Ênio. Todos
elegantemente vestidos, com as tradicionais calças “boca de sino”, a moda entre
os homens na época.
Os grandes momentos foram
mesmo no futebol, a maior diversão da turma. O
Pilim nunca foi um praticamente nato. Apesar de gostar, tinha lá suas
limitações técnicas. Até que tentou dar uns chutes na bola, logo viu que não
levava jeito e parou cedo. Não restou alternativa senão continuar
torcendo pelo seu adorado Palmeiras, e virar um alegre “corneta” nas resenhas.
Com seu jeito brincalhão, ficava “provocando” num bom papo, os torcedores dos
times adversários.
Numa ocasião decidimos
jogar bola no antigo campo de “pelada”, que havia no interior do Bosque Municipal. Hoje o campo
não existe mais, pois no local está a sede da SAMA/Secretaria de Agricultura e Meio
Ambiente. Deu para montar dois times. Aproveitávamos o horário de verão, quando
os relógios eram adiantados em uma hora. A “pelada” começava pontualmente as
18h30, e dava para jogar um bom
tempo, até escurecer. Tinha uma regra: o jogo só acabava quando não dava mais
para enxergar o urso preto, que ficava num local ao lado do campo.

Às vezes, o campo do bosque estava ocupado,
então partíamos para o campo dos Escoteiros ou da Eletrônica, que ficavam perto,
atrás do Hospital São Lucas. O mais curioso é que quando fomos escolher os
jogadores para montar os times, notamos que estava bem dividido, metade de
brasileiros e japoneses. A partir daí, ficou definido que os jogos seriam
sempre entre seleção do Brasil x Japão. E valia uma aposta. O time perdedor
tinha que pagar dois frangos, lá no Bar do Sr. Manoel, perto da antiga Sotebra.
As vezes a aposta de pizzas, lá no Comilão Lanches (foto), do Fernando
Rodriguez, bem na esquina em frente às Casas Pernambucanas.
Olha que dava cada jogão,
disputado ao extremo. Primeiro porque no futebol, mesmo em sendo uma
brincadeira, ninguém quer perder. Segundo, porque saborear um franguinho ou
pizza de graça, tirando o sarro nos perdedores, não tem coisa melhor.
Veja a escalação de um dos
jogos. Em pé da esquerda para direita: Ridê, Roquinho, Pilim, Roberto, Helinho,
Beto Kobayashi, Nelsinho e Kuni Funakawa; agachados: Jorginho, Micuim, Shiró
Konda, Mário Casale, Nao Ichisato, Tico, Ossamu e Celso Casale.
Desta turma, infelizmente
já não estão entre nós, o Ridê, Roquinho, Beto Kobayashi, Nelsinho, Kuni e o
Pilim, que faleceu semana passada.
Recordo que num destes
jogos, estava empatado em 3 a 3, o tempo esgotado, ou seja, nos acréscimos
escuro. Aconteceu um escanteio para o time dos brasileiros. O Pilim saiu da
zaga e foi na frente. Eis que o Mário Casale, levanta a bola na área, entra o
baixinho Pilim, “sobe” e de cabeça, manda a bola no ângulo, para desespero do
goleiro Jorginho. Um golaço, acho que o único em sua curta carreira. Na resenha
pós jogo, o Pilim todo alegre, por ter marcado o gol da vitória, não cansava de
falar: “Se o Dario “Beija Flor” (artilheiro do Brasil naquela época) para 3
segundos no ar, hoje eu subi e parei 5 segundos no ar. Alguém cronometrou?" Um
lance que rendeu muitos comentários e ainda durou muito tempo.

Lembro que o Pilim
trabalhou um bom tempo na Mercearia Jardim, na Praça Pedro de Toledo, em
seguida na Casa Estrela, do saudoso Nelson Piola. Depois ingressou na Companhia Paulista de Força e
Luz, onde fez uma bonita carreira, até atingir a merecida aposentadoria, no ano
de 2.000. Veja o Pilim (a direita) numa animada festa em família.
O Pilim faleceu aos 68 anos,
era casado com a Fátima e o casal teve os filhos Paulo, Ana Cláudia e Bruno.
Deixou um legado que jamais será esquecido, e eternas lembranças dos bons
tempos de nossa juventude.